Estava voltando do trabalho com uma colega. Então ela disse: para que as pessoas tenham um relacionamento verdadeiro é preciso que sejam primeiramente amigos.
Mas como? amigos? Então ela disse: " Lá na frente, depois de tudo, sobrará a amizade entre eu e meu marido".Comecei a refletir sobre isso no caminho..É verdade, eu também concordo. Mas não somente pensando num futuro distante. E sim, em uma forma de troca, de prazer, de crescimento entre o casal, de construção de bases para enfrentar o hoje e o amanhã.
Então me remeto às minhas conversas com amor.
Uma conversa plena, pressupõe confiança, cumplicidade.
Renato Russo chama atenção: " Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim...´" É importante quando encontramos pessoas que não nos façam isso.
Quando encontrarem, prestem atenção!!!! Conheço a ação devastadora e desintegradora na relação por isso.
Não sei me relacionar sem conversar. E é justamente a conversa que me faz sentir parte cada vez mais parte da relação.
Quem não consegue conversar, rir com as besteiras do outro, falar sério quando for necessário, não conhece o prazer da companhia, o quanto o outro nos faz bem. No amor, nos relacionamentos, conversar é indissociável. É como regar um jardim todos os dias.
Conversar é um ato que requer não só a existência dos interlocutores. Trata-se de uma comunhão de espíritos. Conversar não é somente falar e ouvir. É dar e receber paz.
Já perceberam que algumas pessoas são capazes de após uma conversa impregnarem sensações, deixar um pouco de si, nos causar sensação de bem estar e completude?
Quando converso procuro quando é possível ver além dos olhos. Encontrar por trás deles o sentido, a energia da conversa e o mistério que está além dos olhos. Se não posso olhar nos olhos, ouço atentamente com o coração.
Enxergar além dos olhos é ver seus sentimentos e necessidades.
A comunhão entre duas pessoas vai além de uma carinha linda e corpos perfeitos.Eles não resistem ao tempo. Mas os sentimentos, carinho, respeito, a troca, permanece em nós , a nossa única bagagem.
Sexta feira, meu irmão me perguntava: e se Maiana não tivesse voltado dia 7? Se Maiana não tivesse percebido a demora e não te ligasse? A resposta parece meio óbvia.
Por isso, digo para as pessoas o que sinto, o que penso, o quanto elas são importantes para mim, cada um em seus espaços definidos, seja pessoal, familiar, social ou profissional.
Aprendi nestes 90 dias, dentre muitas outras coisas a ouvir mais, a não "tirar conclusões", a parar de pensar que poderia " entender tanto o pensamento do outro" ao ponto de falar por ele, a conversar com meus pensamentos, através das saudades.
A qualquer momento podemos não estar mais aqui. Vivi e senti isso no dia do AVC.
E o mais gratificante é que graças a Deus conheço o que escrevo.
" Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz... pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera." (Arnaldo Jabor)
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