Depois do AVC fortaleci o hábito de pensar criticamente sobre a vida, os hábitos ( aquilo que as pessoas fazem automaticamente sem questionarem o porquê).
Parece que algo muda dentro de nós.
Apesar de não ter ficado com sequelas físicas, estou certa de que algo mudou no meu ser. Fisicamente a ressonância magnética mostra lesão claramente na parte do cérebro responsável pela coordenação motora e visão. Mas, incrivelmente não tenho nenhuma disfunção nestes sentidos e vivo normalmente: trabalho, faço atividade física, sou independente, danço, corro, leio, namoro, dirijo, faço tudo que uma pessoa " sadia" também faz.
Porém, sinto algo diferente. Sinto-me mais liberta a "pequenos detalhes" do dia dia, tais como horário de refeição rígido, horários para tudo, obrigação social, entrar na rotina frenética da capital, transito,marcar vários compomissos quase imposíveis de serem cumpridos ao mesmo tempo, ver o lado positivo das coisas e nao valorizar o negativo, preocupar- me menos com o que as pessoas pensam, apreciar mais tudo na sua simplicidade e nao na aparência, ser mais cuidados com os que se dizem amigos, reconhecer verdadeiramente a sinceridade, a grandiosidade das pessoas e ter coragem de afastar as que nao me fazem bem, "enxergar" melhor a maquina que move o mundo, as pessoas e por isso adquirir uma capacidade de compreensão maior porém ser menos tolerante para palavras, fatos, atitudes, comportamentos poucos significativos para minha vida!
Dia 21 fiz a revisão semestral neurológica, e mais uma vez, ouvi: você foi privilegiada, esta toda normal sem nenhum problema ( que deveria, pelas lesões estarem instalados). Obrigada Deus! Sobretudo pela oportunidade de reconhecer e de evoluir mais como ser!
Aos leitores que possuem experiência diferente da minha, nao se vitimizem. Nada acontece por acaso e todos os acontecimentos fazem parte da nossa vida, esta prescrito na nossa existência e Sao como lições de casa que devemos estudar para passar das etapas na grande escola da existência.
Aproveitem o potencial que ficou em você! Nao se envergonhe de precisar de ajuda. Peca, aceite, e agradeça a Deus por estar sendo ajudado.
Nao desista de seus projetos, por mais difícil que pareça ser para continuar em frente.
As vezes você sentira o chão se abrir, as vezes nao entendera e se perguntara " por que eu" ? Mas, tenham certeza, nao e por acaso. Aprendam a aprender com a adversidade.
Por isso defendo a felicidade produzida. Ninguém melhor do que cada um de nos intimamente para saber o que nos as feliz. Nao há receitas prontas vendidas em prateleiras.
O que encontra-se a venda, êh uma pseudo felicidade, através de bebida, drogas, momentos efêmeros, situações que sao verdadeiros opios, embacadores da visão interior que nao leva a profunda vivência e prazer da nossa existência.
Todas as pessoas possuem o seu "dínamo" para gerar sua própria energia, sua própria forca motivadora de reais mudanças, verdadeiras construções de vida, sentimento de plenitude e realização.
Procurem alguém especial para compartilharem todo o aprendizado. Pessoas especiais nao sao aquelas que se dizem ser, mas sobretudo as que demonstram nas suas atitudes, pequenos gestos, capacidade de amar, de amizade, doação, atenção, compreensão das nossas imperfeições mas mesmo assim dispostas a amar!
Socializando uma experiência de emoções como: sofrimento, medo, tristeza, culpa, raiva, felicidade, amor.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
REFLEXÕES ACERCA DO CARNAVAL EM SALVADOR
O Carnaval em Salvador começou desde a última sexta feira!! Cada vez mais é antecipado "extra oficialmente".
Ontem fui ao aeroporto buscar minha filha e fiquei um pouco surpresa! Ainda fico surpresa como Soteropolitana!!Era a primeira vez que estava no Aeroporto no dia em que oficialmente inicia o Carnaval em Salvador. Quanta gente chegando!!! Muitos turistas, muitos!
Ainda houve um tempo enquanto aguardava o Vôo chegar, de observar as pessoas, e seus estados de alegria, euforia, desejo de algo novo, curiosidade, felicidade , muitos sentimentos, muita energia.É belo constatar a energia de Salvador, a atratividade, a capacidade de mobilização coletiva.
Eu aproveito para observar e refletir. Já vivi este estado. Como legítima Soteropolitana já fui Chicleteira, em bloco e em Festival de Verão. Nada contra a quem gosta, e ainda aprecia.
Porém, chego a uma conclusão muito pessoal e íntima. Tantos dias de Carnaval, só dançando, bebendo, sem "construir" algo, não me preenche mais.
Estou vivendo agora a fase do "myself". Quero fazer o que me preenche com mais totalidade: ler, passear, namorar, conviver mais com amigos e família, estar perto de minha filha, viajar, andar sem compromisso, conhecer novos lugares. Aqui em Salvador são 7 dias de feriado em que podemos fazer MUITO!!!! Uma diversidade de programação, um verdadeiro tesouro.
No aeroporto também refleti em alguns acontecimentos da minha vida: as vezes precisamos dizer não para alguém. As vezes nos dizem "não".
É fundamental uma reflexão sobre este "não".
Tratando-se de relacionamento, independente dos envolvidos: mãe-filha, amigos, companheiros, temos uma resistência com as "negativas". Nossa cultura não admite muito a negação. Mas, a negação as vezes significa oportunidade de crescimento, de evolução, de mudança.
Eu já disse alguns "não(s)" e também recebi outros. Ambas as formas são desconfortáveis.
Inicialmente quando recebemos um "não quero", "não concordo com você", "não gosto de você", parece que somos inferiorizados ou que alguma coisa não deu certo. Mas, se abrirmos o coração para o bem, para o aprendizado, iremos descobrir que faz parte da nossa trajetória e que quando uma porta de "fecha" outra se abre e as vezes trazendo um caminho mais agradável, sereno, muito melhor que o anterior.
O importante, é que as pessoas encontrem o que lhe tragam paz, serenidade, harmonia e boas energias. O importante é estar bem consigo. Somente assim, poderá estar bem com " os outros".
Para encontrar a paz as vezes é necessário dor. Mas depois, virá a emergência do novo, da mudança e do efetivo crescimento.
"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)
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