Começei o acompanhamento no Hospital Sarah. Desnecessário comentar da excelência em atendimento e tratamento enquanto pessoa, cidadã e paciente.
Os acontecimentos estão vindo, em uma ordem natural. Não planejo.
Passei quase duas horas com uma neurologista . Ela reviu todos os exames feitos desde 09 de dezembro até a data atual e depois de uma longa conversa onde perguntou desde detalhes da minha história de vida com relação a patologias na família até relacionamento pessoal , disse: pelos resultados de todos os exames negativos, histórico pessoal e familiar seu AVC foi uma fatalidade. O reumatologista também brincando disse: que azar menina!!!.
Ouvir dos médicos as suas diversas percepções mexem comigo. Porque cada fala me remete a pensar em mim inserida em tudo isso!!!
Ouvir dos médicos as suas diversas percepções mexem comigo. Porque cada fala me remete a pensar em mim inserida em tudo isso!!!
A neuro perguntou: como você resumiria isso tudo que lhe aconteceu?
Respondi: oportunidade de evoluir e ressignificar valores, pensamentos atitudes, forma de ver o mundo e de me ver nele. Mas não é fácil, complementei. E continuei:
Conheci a tristeza, depressão, solidão, raiva. Partiu-se dentro de mim mesma vários pedaçinhos e fui reconstruindo em parte sozinha, na medida que ia evoluindo e ressignificando as coisas da minha volta. Não estou pronta, "acabada" e acredito que vivendo esta trajetória de agora em diante , estarei percorrendo o caminho do equilíbrio. Também não estou procurando minha versão acabada. Estarei de coração aberto para receber "upgrades"(rss).
Neste momento as lágrimas descem , porque ela me fez lembrar e relatar o dia do AVC e os dias que antecederam.O saudosismo que sinto apesar de ser silencioso ao mesmo tempo me conforta. Ele me trás uma sensação de conforto, apesar de ser desconforto também.
Reconheço que estou muito melhor no tocante ao equilíbrio emocional e paz interior, do que estava em janeiro, fevereiro, mas também sinto a ausência. Sentimento dúbio que dói.
De repente me peguei confusa, e por um momento me cobrando.
Então ouvi da neuro: Cadja, o que você teve não te deixou nenhuma sequela, não te prejudicou fisicamente, mas é algo que desorganiza todo seu organismo e "cabeça". Refleti e naquele momento me senti só.
"Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo".(Clarice Lispector)
A desorganização interior existe, e tenho procurado me entender mais, e entender também o outro. Mas, tem vezes que me foge a capacidade de entender as razões de não conversar, não contar os avanços, não compartilhar os momentos, medos e surpresas com quem eu quero.
Eu sou uma pessoa intensa, isso não perdi nem mudei.Mergulhei no que desconhecia, sem me preocupar em entender....
Todos estes pensamentos habitam meu silêncio.
"Ouve-me, ouve o meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa. Capta essa outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso."
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