A realização de exames paralelamente ao retorno de trabalho, não deixa de me trazer pequenas angústias.
Tenho plena consciência da necessidade de encarar com mais tranquilidade as adversidades profissionais enfrentadas no cotidiano. Mas, em contrapartida também possuo um senso de responsabilidade forte. Atuar na área de educação é sobretudo definir vidas, criar condições para que as pessoas cresçam, melhorem profissionalmente .
Antes do AVC eu tinha uma emergência em "fazer" tudo. As vezes tudo ao mesmo tempo. Por exemplo, marcava médico, reunião com uma diferença de horário pequena considerando a falta de pontualidade dos profissionais de saúde e o trânsito. Resultado: atividades atropeladas, angústia por não cumprimento de horário para comigo e de mim para com os demais.
Queria trabalhar o dia todo ativamente e a noite ficar até tarde na academia todos os dias. E assim fazia.Não dava descanso para mim mesma. Eu era a pessoa que mais cobrava de mim mesma!!!!!!
Nos relacionamentos pessoais então, hoje considero uma loucura.
Quando me separei, passei um ano para "digerir" a sensação de tempo perdido e de ausência de realizações. Neste sentido excluo minha filha amada que considero meu maior, gratificante e intenso projeto de vida: o de ser mãe.
Iniciava um novo relacionamento com muita pressa. Pressa de viver o não vivido, de sentir o não sentido, de descobrir o ainda não descoberto. Como se pudéssemos controlar os sentimentos, as emoções, os desejos, o ritmo de cada um.
Agora passado três meses, reflito sobre o tempo.
Porque tenho uma sensação nova: a de ter minha vida ameaçada. Então intimamente me pergunto: como me sento melhor antes ou agora? Sinto que agora.
Encontro resposta na Bíblia:
"Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de abraçar e tempo de afastar-se; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz." (Eclesiastes)
Percebo que o ritmo frenético que imprimia sobre mim mesma era errado, nocivo para mim, exigente demais.
Hoje, quero as coisas com mais serenidade. Quero ter tempo de ouvir mais, de observar mais, de poder estar com quem gosto mais tranquila, ser melhor companhia.
Por isso procuro viver os detalhes das coisas, das falas, dos momentos, das pessoas.
Hoje vivo compreendendo que:
" O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." (Fernando Sabino)
Estar neste patamar de nível de consciência me faz sentir muito bem e uma pessoa melhor.
Sinto-me mais segura, mais confortável comigo mesma, pronta para estabelecer minhas conexões com quem amo e viver com intensidade cada momento.
Quero que as coisas na minha vida aconteçam com a mesma naturalidade do rio que corre para o mar
Quero que as coisas na minha vida aconteçam com a mesma naturalidade do rio que corre para o mar
"O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
(Mario Quintana)
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