quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

TUBARÕES NO MEIO EMPRESARIAL?

" Raquel veio para terapia após uma trajetória bem sucedida no meio empresarial.
" -Só os fortes sobrevivem em minha área, anunciou
- Deve ser desgastante enfrentar essa competição- respondi
-  É verdade.Eu nado no meio de tubarões. eles farejam a fraqueza como sangue na água e devoram suas vítimas.Eu não conseguiria chegar aonde cheguei se demonstrasse fraqueza.Quando entro em uma reunião, tenho que acreditar que sou a melhor pesssoa da sala.
-Você teve de desenvolver uma carapaça para sobreviver nessas águas- eu disse.
- Ah mas sou uma pessoa sensível. Só não deixo  transparecer porque os homens não respeitam mulheres sensíveis, só a força.
... Raquel brigara e lutara para chegar onde chegou. Era uma sobrevivente. Acreditar que era melhor do  os outros levara longe em um ambiente competitivo. Mas essa mesma atitude estava obstruindo seu caminho. Ela  não possuía uma verdadeira auto estima. Faltavam amigos verdadeiros.Os homens a temiam. Sua falsa auto estima servira para ajudá-la no meio empresarial competitivo, mas estava prejudicando vida vida pessoal". (BAKER, 2008)


De acordo com pesquisas realizadas com as empresas mais bem sucedidas no EUA, o pesquisador Collins  encontrou 28 empresas que mantiveram um nível de excelência  durante 15 anos, constatando que empresas realmente notáveis possuíam em sua direção líderes com características inesperadas.As principais qualidades desses líderes eram humildade e força de vontade.Nas empresas que fracassaram depois de um sucesso inicial encontrara, dirigentes com " egos gigantescos"  ou falsa auto estima. "Eram arrogantes, exibicionistas e adoravam aparecer na mídia.Por outro lado, os líderes das empresas bem sucedidas buscavam resultados a longo prazo, jamais punham a culpa nos outros e se caracterizavam por uma modéstia persuasiva. Eram líderes que possuíam a verdadeira auto estima " (BAKER, 2008).
Ainda segundo Baker (2008), a falsa auto estima oferece benefícios de curto prazo, mas pessoas realmente bem sucedidas constroem um  sucesso duradouro a partir da autêntica auto estima.Egos gigantescos e sentimentos de superioridade não promovem resultados a longo prazo. A verdeira auto- estima sim.


Auto-estima, seja qual for o nível, é uma experiência íntima; reside no cerne do nosso ser. É o que EU penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim. Quando crianças, nossa autoconfiança e nosso auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos – conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos. Mas, em nossos primeiros anos de vida, nossas escolhas e decisões são muito importantes para o desenvolvimento futuro de nossa auto-estima. 


Estamos longe de ser meros receptáculos da visão que as outras pessoas têm sobre nós. E de qualquer forma, seja qual tenha sido nossa educação, quando adultos o assunto está em nossas próprias mãos. Ninguém pode respirar por nós, ninguém pode pensar por nós, ninguém pode nos dar autoconfiança e amor-próprio. Posso ser amado por minha família, por meu companheiro ou companheira e por meus amigos e, mesmo assim, não amar a mim mesmo. 


Posso ser admirado por meus colegas de trabalho e mesmo assim ver-me como um inútil. Posso projetar uma imagem de segurança e uma postura que iludem virtualmente a todos e ainda assim tremer secretamente ao sentir minha inadequação. Posso preencher todas as expectativas dos outros e, no entanto, falhar em relação às minhas; posso conquistar todas as honras e apesar disso sentir que não cheguei a nada; posso ser adorado por milhões e despertar todas as manhãs com uma nauseante sensação de fraude e vazio.


 Chegar ao “sucesso” sem conquistar uma auto-estima positiva é ser condenado a sentir-se um impostor que aguarda intranquilo ser desmascarado. Assim como a aclamação dos outros não cria a nossa auto-estima, também não o fazem os conhecimentos, a competência, as posses materiais, o casamento, a paternidade, a dedicação à caridade, as  cirurgias plásticas. Essas coisas PODEM às vezes fazer com que nos sintamos melhor sobre nós mesmos temporariamente, ou mais confortáveis em situações particulares, mas conforto não é auto-estima. A tragédia é que existem muitas pessoas que procuram a autoconfiança e a auto-estima em todos os lugares, menos dentro delas mesmas, e, assim, fracassam em sua busca.


A auto-estima positiva pode ser entendida como um tipo de CONQUISTA ESPIRITUAL, isto é, uma vitória na evolução da consciência. 


Quando começamos a entender a auto-estima dessa forma, como uma condição da consciência, entendemos quanta tolice há em acreditar que, se pudermos causar uma boa impressão nos outros, teremos uma auto-avaliação positiva. 


Pararemos de dizer a nós mesmos: “Se pelo menos eu tivesse mais uma promoção; se pelo menos me tornasse esposa e mãe; se pelo menos fosse reconhecido como um bom provedor; se pelo menos pudesse comprar um carro maior; se pelo menos pudesse escrever mais um livro, comprar mais uma empresa, ter mais um amante, mais uma recompensa, mais um reconhecimento de minha generosidade – então, REALMENTE me sentiria em paz comigo mesmo....”. Perceberíamos então que a busca é irracional, que o anseio será sempre “por mais um”. 


Se ter auto-estima é julgar que sou adequado à vida, à experiência da competência e do valor, se auto-estima é a auto-afirmação da consciência, de uma mente que confia em si, então ninguém pode gerar essa experiência a não ser eu mesmo. Quando avaliamos a verdadeira natureza da auto-estima, vemos que ela não é competitiva ou comparativa. 


A verdadeira auto-estima não se expressa pela auto glorificação à custa dos outros, ou pelo ideal de se tornar superior aos outros, ou de diminuir os outros para se elevar. A arrogância, e a super estima de nossas capacidades são atitudes que reflectem uma auto-estima inadequada, e não, como imaginam alguns, excesso de auto-estima.




FONTE :http://www.nucleo.org.br





"Não é necessário correr para fora para ver melhor, (...) Em vez disso, permaneça no centro do seu ser, (...) Busque em seu coração e veja."
Lao-Tse

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