quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O SOM DO SILÊNCIO- ( no carnaval?)

Pode parecer estranho ou paradoxal falar de silêncio em pleno período de carnaval, contexto em que nada é silencioso!!!!

Observei pela TV  imagens da festa nas principais cidades, em especial aqui em Salvador, e penso: quanta gente, quantos mundos juntos!!!

Pensei nos planos que tinha feito para estes dias..quanta diferença!.

Em uma entrevista num certo programa   um Psicólogo  disse: carnaval é um período em que  " tudo é permitido" , as pessoas  fazem, falam, reproduzem, tudo que está reprimido no ano seja por por regras sociais ou  contextos pessoais. Será?

Não sei. Mas, me chama atenção o comportamento das pessoas. Como tornou-se "comum" beijar desconhecidos, abraçar por um instante, não conversar! Não querer conhecer o outro.
Como está evidente a superficialidade dos encontros, do querer o outro! Superficial e efêmero. Virou "lugar comum".

Então diante de tudo isso pensei em mim, na minha vida e sobre o silêncio. O silêncio passou a existir e ter um significado em minha vida.

Talvez seja também resultado da maturidade, quando chega-se a conclusão de que não se tem controle de tudo e que as vezes é melhor não falar nada ou fazer nada, deixar o silêncio vir, desligar os motores, levantar as velas e deixar-se levar pelos ventos do destino, da vida...

Particularmente prefiro o som das palavras, do mar, do vento, da música. Porém, o silêncio tem trazido para mim alguns aprendizados....O silêncio me trás algumas respostas..... Com o silêncio...

Aprendo a  ouvir meu interior, meu coração, reviver  lembranças com a paz necessária para ter clareza das situações e transformar a saudade em  crescimento, em vontade de ser uma pessoa melhor;
Aprendo a  calar,  porque chego a conclusão de que não tenho o controle de tudo e que não posso obrigar ninguém a gostar de mim;
Aprendo a respeitar o jeito de ser , de reagir  das pessoas que amo, por mais diferente que seja da minha. Afinal, somos o que nossa experiência impregna nas nossas vidas; E cada indívíduo tem as suas próprias experiências; 
Aprendo a aceitar alguns fatos , a ser humilde diante das respostas;
Aprendo a valorizar cada vez mais as coisas e os momentos mais simples, o que é belo, verdadeiro, sincero, intenso.
Aprendo a ouvir o que faz algum sentido e a evitar palavras vazias, momentos vazios
Aprendo que a solidão não é o pior castigo, existem situações de "solidão a dois" bem piores….
Aprendo que a vida é boa, que só preciso  olhar para o lado certo;
Aprendo  a respeitar a minha vida, valorizar o meu dia, enxergar a mim mesma  as qualidades que possuo, equilibrar os meus defeitos e saber que preciso  e enxergar aqueles que ainda não descobri .
Aprendo a relaxar, mesmo nas situações difíceis, 
Aprendo a respeitar o meu “eu”, a valorizar o ser humano que sou, a respeitar o Templo que é o meu corpo, e o santuário que é a minha vida.
Aprendo que não quero saber todas as respostas, que não quero aparentar "mulher forte", independente, a relaxar e a me despir de rótulos, a ser leve.
Aprendo a olhar para mim e a reconhecer quais as necessidades de preenchimento e o que está transbordando.
Aprendo que não há conclusões, ponto final. A vida é dinâmica . Assim como as marés, existem idas e vindas.
Aprendo que somos livres na medida em que fazemos escolhas.
Aprendo que não existem "verdades" e que aprender é processso, não é de imediato, por isso leitor(a) aonde ler "aprendo"  leia-se  " estou aprendendo" .
Não dormimos de um jeito e acordamos outra pessoa. O aprendizado acontece em doses homeopáticas, aos poucos e graças a Deus não tem fim. 
Faço absoluta questão de declarar que sou uma " eterna aprendiz"....



(ADAPTAÇÃO DO TEXTO DE Paulo Roberto Gaefke)



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