quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O começo de tudo....08 de dezembro 2011

Eu tenho alguns objetivos socializando a  minha experiência e sentimentos devido ao AVC: o exercício do compartilhar e sobretudo reconhecer fragilidades e pequenas vitórias,  ajudar a todas  pessoas que passaram ou estão passando pela mesa situação assim , dar conhecimento as pessoas de como me senti. O olhar " de fora" é superficial, mas tenho certeza de que a dimensão dos sentimentos de uma pessoa que tem AVC é desconhecida pela grande maioria das pessoas. Quero contar isso!!!!.
Dia 08/12/2011 -  feriado em Salvador, à tarde, estava indo encontrar amigas num barzinho quando senti um pequeno "repuxo" no rosto do lado esquerdo e a ponta dos dedos da mão esquerda dormentes,.  Logo em seguida percebi discreta dificuldade na fala mas, no início neguei a mim mesma que estava acontecendo algo diferente ou grave comigo. Afinal, era uma pessoa dinâmica, praticante de atividade física diariamente, não fumante, adepta a alimentação saudável e com pouco consumo de álcool. Não poderia ser nada grave. A minha primeira lição -  não tenho o controle absoluto sobre mim e sobre meu corpo. Desprezei os sinais.
Voltei para casa logo, as sensações descritas acima desapareceram e corri para internet e os resultados das pesquisas me levaram a avc. Mas, novamente " aquilo não poderia estar acontecendo comigo!!!". Entretanto, minha sensata intuição m dizia que estava acontecendo algo  diferente sim!!! Decidi que no dia seguinte, iria procurar um médico.
no dia 09, minha filha me ligou e eu ainda na cama marquei com ela para pegá-la e irmos juntas ao médico.
Então de repente não conseguia chegar ao closet para pegar uma roupa, caía, desorientada. Não estava entendendo o que acontecia comigo. Com muito esforço consegui pegar um vestido. E de repente não conseguia desabotoar os botões para vestir. A mão esquerda não obedecia, não sentia nada nos dedos. Não estava conseguindo me vestir!!! Devo ter demorado muito porque minha filha percebeu e ligou. Ao atender já não conseguia falar e apenas balbuciei de forma embolada "estou mal, preciso de ajuda.". Em poucos minutos estava na emergência do hospital sendo atendida...
Quando me dei conta estava em uma UTI, com a mão esquerda sem função e com muita dificuldade em falar.
O sentimento nesse momento é de confusão mental. De não saber direito o que está acontecendo com nosso corpo, de negação das limitações físicas sentidas. Ainda com os médicos fazendo os procedimentos eu chorava muito . Foi uma fase que me emocionava muito e chorava. Ainda no dia 09 estiveram comigo minha tia e minha filha. Estava lúcida o tempo todo, e ao vê-las  chorava.
Não tenha vergonha de chorar!!!!! Faz parte do caminho para por em ordem o emocional.

2 comentários:

  1. Nossa... Impressionante. Sua luta pela vida e a reflexão dos acontecimentos, são algo que faltam em muitos. Cada segundo vale um vida toda neste momentos. Estamos falando da concepção do nosso caminho natural e das nossas responsabilidades das heranças que deixamos para o mundo.
    Sua atitude em compartilhar pode ajudar muitas pessoas, assim como, está lhe ajudando.

    Que Deus lhe abençoe !!!

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    1. Sim Thiago. A idéia é reconhecer o que aconteceu. Na verdade não passou. Mas, compartilhar os sentimentos e as emoções fazem muito bem na fase em que estou vivendo.Obrigada pelo seu comentário!!!

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