sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

a saída do hospital - nova virada depágina

Sim, considero a saída do hospital uma nova virada de página. A anterior foi a saída da UTI para o apartamento.
O meu neurologista não me liberou até uma dor de cabeça passar completamente. Ele comentava animado que queria me dar alta para eu passar o Natal em casa. Todos em minha volta ficavam animados e até antecipavam-se comentando com todos  " ela vai passar o Natal em casa!".
Mas todos esqueciam de que o fato de receber alta médica não significava que iria sair como era antes.
Eu comecei a me dar conta disso e me peguei pouco animada com a perspectiva de alta médica.
Mas como? Voçês devem estar achando isso estranho não?Não será difícil de entender.Vejamos:
No hospital me sentia "protegida". Na verdade, estava numa espécie de "zona de conforto". Tudo que precisava vinha até a mim, sejam médicos, refeições, exames, fisioterapia, familiares, amigos.
Mas como sempre fui muito lúcida e sabia das dificuldades que iria enfrentar.
Antes do AVC era dinâmica, completamente independente, dona dos meu horários e da minha vontade, com atividade profissional e física ativas.  Quem estava saindo do hospital era o mesmo ser, a mesma mulher, porém com limitações físicas que me afastaram das duas atividades que mais amo: profissional e física.Sabia que minha rotina iria ser abruptamente e radicalmente mudada para pior. E asssim foi.
Antes do Natal  recebi alta médica. Não voltei para casa, moro sozinha e não era prudente . Fui para casa de familiares que me tratam como filha. Me receberam com muito carinho, atenção e amor . Não tenho palavras para agradecer tamanha mostra de solidariedade e amor. Mas, indiscutivelmente minha rotina sofreu mudanças.
Estar impedida de dirigir foi outra limitação que mais sinto. Isto significa " dependência", algo que estava desacostumada a conviver.
Mas a cabeça da gente é incrível. No dia seguinte que saí do hospital, ouvi de pessoas muito próximas e queridas " você não tem nada fisicamente, precisa voltar a uma rotina de normalidade" Ahhh!!! comecei a me convencer disso, e aceitei a um convite para ir ao shoppping nas vésperas do Natal. Eu não sou muito fã de shopping  cheio quanto mais neste período!!! Mas eu estava " me convencendo" e lá no meu íntimo queria voltar a ser o que era!!!!  Estar no shopping me trouxe uma sensação boa como de "estar de volta" porém era como se não estivesse plenamente ali. Meu corpo estava mas via todo o movimento me sentindo " a parte" de tudo. Fiz um enorme esforço para voltar ao shopping no dia de Natal porque minha filha queria comprar um presente para mim eu participando da escolha. Senti também a alegria dela e o sentimento de " minha mãe está de volta". Escolhemos. Fim das idas ao shopping.
Passei a noite de Natal com minha família e também com amigos maravilhosos que deram muito apoio a minha filha no período em que estava na UTI. Me senti muito querida e amada, e isso me fez muito bem.



                                               .

Momentos de alegria para todos!!!!!!!

Aproxima-se o reveillon e decidi aceitar ao convite de pessoas amigas e acolhedoras para passar um fim de semana de 31 de dez em Interlagos. Também foram momentos de descanso e na virada de muita alegria. Houve um momento muito emocionante em que fomos à praia, como manda a tradição dos baianos, e  todos presentes deram-se as mãos em círculo onde oramos juntos e em voz alta o salmo 23 e ave maria, Em seguida ofereceram uma prece a mim, agradecendo a minha recuperação e poder estra presente. No minuto da virada, me abracei com minha filha e emocionada agradeci a ela por ter salvo a minha vida.






Depois de passado as Festas de final do ano, entrei na rotina. Prioridade era recomeçar a Fisioterapia.
Começei a fazer a Fisioterapia. Mas meus dias ficaram vazios, como preencher? Não tinha hábito de ociosidade. Então fui tomada por uma angústia enorme. Meus amigos naturalmente seguiram suas vidas e o contato pessoal diminuiu. Senti e sinto muita falta deles.Sinto falta das atividades profissionais, do  meu grupo de trabalho, da reuniões.  Sinto falta de me sentir "produtiva"..Sinto falta de minha vida pessoal, sinto falta dos encontros nos fins de semana com amigas " clube da luluzinha" (rs). Percebi que estava triste e que as pessoas mais próximas já percebiam. Então decidi criar este blog. Serve também para "conversar" solitariamente com as pessoas. Postar meus pensamentos e sentimentos aqui está sendo muito valioso para mim e pelos comentários dos amigos, está sendo também para o leitor. Que bom !!!!De alguma forma está havendo troca.

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