Hoje entendo porque me emocionava quando via pessoas da minha família: elas me lembravam que eu tinha uma vida normal, alegre, independente e de repente estava confinada numa UTI toda monitorada. Sem quase poder me mexer direito na cama, não conseguia conter a emoção, porque achava muito injusto ter sido arrebatada da vida repentinamente e e tudo que me lembrava a vida, de alguma forma me atingia..
Por isso, paradoxalmente não queria a TV ligada. Para as demais pessoas a TV era um "passa tempo", mas para mim era sofrimento. Não queria ver a " vida" acontecendo e eu sem poder fazer nada do que estava vendo. Coisas simples como dançar, caminhar, conversar, dirigir, entrar e sair dos lugares. Sofria com toda a situação de impotência.
A dor é uma força poderosa que nos empurra para uma determinada direção, Ela pode nos guiar para a maturidade e crescimento ou para desespero e alienação. Não é o fato de sofrer que nos torna uma pessoa melhor ou pior, mas aquilo que fazemos com o sofrimento. Não podemos escolher o tipo de sofrimento que vamos enfrentar na vida, mas podemos escolher a direção que decidimos seguir.
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