Socializando uma experiência de emoções como: sofrimento, medo, tristeza, culpa, raiva, felicidade, amor.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
1o dia na UTI- medo e ansiedade
Um dia de muitos exames, muito movimento de médicos. Ainda estava "sintonizada" com o mundo externo.Comecei a me situar e a reconhecer para mim mesma " estou na UTI". Espaço individualizado com porta sanfonada, aparelhos de monitoração, TV.Senti medo. Medo da morte. Pensava que tinha uma filha começando a vida agora e que ainda precisa de mim. Pensava na minha vida pessoal que foi interrompida.Pensava nas minhas atividades profissionais.Os pensamentos se misturam. Tento encontrar uma explicação racional, lógica como causa para eu estar ali.Sinto um pouco de culpa " como EU deixei aquilo acontecer?" Tendemos a nos cobrar muito no dia dia. As visitas eram restritas aos familiares e somente duas pessoas. No final da tarde, minha filha entrou e mais uma vez a emoção toma conta e se expressa em lágrimas. Chorar é importante, alivia. Sei que para quem está na nossa frente nada pode fazer. Então basta ficar perto, fazendo um carinho. A presença, a voz, o toque das pessoas queridas fazem parte do tratamento. Não conseguia falar direito e não tinha idéia como estava meu rosto. Só sabia que algo estava errado porque não conseguia falar direito.A minha mão esquerda não me obedecia, os dedos sem sensibilidade e sem movimentos voluntários. Hora de fisioterapia. Avaliação da força. Resultado satisfatório, afinal, não era sedentária. Comecei a entender os benefícios de quem pratica atividade física- os músculos tinham força. Entendi também que a fisioterapia iria me acompanhar na minha fase de recuperação.
Na visita do neurologista disse a ele que eu adoro dançar e que queria poder voltar a dançar..Ele riu e muito seguro afirmou " claro que você vai voltar a dançar!!!".
Primeira noite: não conseguia dormir, experimentava emoções como ansiedade, medo, sofrimento.A única posição que podia ficar era de barriga para cima. Havia um relógio no alto da parede em frente a minha cama.Estava angustiada. Para vencer o medo e a angústia me agarrei as boas lembranças, pensava em momentos bons recentemente vividos. As experiências vividas e suas lembranças me alimentaram, me fortaleceram, me confortaram nesta primeira noite.
Reflexão: me dei conta da inversão de papéis entre minha filha e eu. Um dia eu a gerei, alimentei e lhe dei a vida. No dia 09 ela salvou a minha vida. E depois foi tão mais filha, tão mais amiga, tão mais parceira.
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Cadja, sinto muito...eu não sabia que vc estava vivendo isso. Já tive um caso bem próximo, meu pai acordou um dia com os olhos totalmente tortos e absolutamente confuso...não sabia o que acontecia. Eu o levei ao hospital imediatamente e deu tudo certo. Vc vai ficar bem, acredite!! Que Deus te abençoe, beijos.
ResponderExcluirobrigada! As vezes quando a gente não pára a vida pára por nós!!!beijão
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