sexta-feira, 5 de outubro de 2012

ESSE TAL DE "QUASE"



Hoje amanheci refletindo sobre a questão das  "influências"  que as outras pessoas exercem sobre nós. Há influência ou nossas ações são frutos das nossas "escolhas" ? 
Creio que primeiro precisamos saber o que queremos ser, aonde queremos chegar, qual o objetivo da nossa existência, por quais motivos estamos integrados na teia social e aqui incluo ambiente profissional, social e  familiar.
A maturidade desembaça nosso olhar, esclarece dúvidas, dá um rumo para nossas escolhas.
Eu tenho alguns momentos na minha vida que deixam o processo de escolha claro, e que a minha atitude perante a situação foi fundamental para a caminhada escolhida.
Por isso, estou certa de que é preciso viver!!! É preciso experimentar as incertezas para que o curso natural da vida aconteça. Porém, está claro também que não se trata de m processo aleatório, nem um jogo de sorte X azar, mas sim de  atitudes pautadas nos nossos objetivos, em como queremos ser, de que forma queremos viver, e com que energias queremos ter contato.
Neste sentido, aproveito o texto de Luis Fernando Veríssimo. Não faço apologia ao fazer por fazer, ao "oba oba", aos modismos, aos atos inconsequentes. Mas, celebro o VIVER. Com plena consciência do que somos e queremos ser para nós mesmos e para nosso próximo.
Estar na zona do "quase" não me faz bem. Boa leitura e reflexão!


QUASE
Luis Fernando Veríssimo
" Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

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