Habitualmente percebemos que a maioria das pessoas "pensam" que tem o controle de suas vidas e não se conformam com acontecimentos que contraponham a sua vontade ou às suas expectativas.
Eu mesma achava que tinha esse controle e que poderia "planejar" meus passos e tudo correria conforme os planos.
Venho aprendendo pouco a pouco, com todos os acontecimentos da minha vida que não tenho este controle.
Venho aprendendo também, que sofremos menos quando sabiamente extraímos lições dos acontecimentos, por mais estranhos e errados que possam parecer.
Ontem estava na doutrinação no Centro Espírita o que me fez muito bem. Ouvir palavras significativas e que trás mensagem especial para meu crescimento faz um bem enorme.
Saí da reunião com mais leveza e com uma afirmação fixada no meu pensamento: perguntar o "para que" e não o " por que" do que acontece na minha vida.
Perguntar como posso crescer com isso? E não me lastimar, não me vitimizar mas sim enfrentar as situações.
Esta postura me faz sentir mais leve e mais segura, preparada para enfrentar o cotidiano difícil nas relações profissionais, no dia-dia do centro urbano, nas relações com as demais pessoas. A busca é de equilíbrio, de sintonia comigo mesma e de paz.
Então tenho me perguntado " para que" aconteceu comigo e não "por que?"
Meu coração está aberto para entender "para que" preciso passar por isso? Para que ou em que vou crescer, vou evoluir?
Tenho enfrentado situações difíceis mas acreditando que no plano espiritual estou na vida para aprender, busco o equilíbrio nas reuniões espíritas, na leitura do Evangelho, nas preces, nos tratamentos recomendados, nas coisas simples da vida.
Ainda estou me adaptando. Sinto um recomeço, uma nova oportunidade, porém ainda decifrando os novos códigos, aprendendo a me reconhecer, e me situar na vida que continua a acontecer e o novo elemento sou eu, com nova forma de pensar, de ser enxergar, de se posicionar, e de perceber o mundo.
A IMPORTÂNCIA DO PERGUNTAR
RENATO RIBEIRO VELLOSO*
" Durante séculos, o ser humano é questionado sobre o que é o mais importante,saber responder ou saber perguntar, quem é o verdadeiro sábio aquele que tem respostas paratudo?, ou aquele que sabe questionar o que lhe foi imposto?
O homem deve sempre agir com prudência, aquele que tem respostas para todas as questões, agindo com excesso, coloca sua reputação em perigo, pois quando não se tem o domínio sobre si próprio, ninguém irá admirá-lo, mas sim censurá-lo. A paixão dos tolos é a pressa, como não sabem o que é verdadeiro, não param para pensar.
O sábio ao contrário, possui reservas de paciência, não se afoba, pois só a perfeição tem o verdadeiro valor, dando mais valor ao saber perguntar, pois assim desenvolve pensamentos, vai a busca do inimaginável, do inatingível.
Os verdadeiros sábios buscam verdades e por mais difícil que seja encontrá-las nunca desistem ou pensam que não existam.
Em nossas vidas também devemos procurar nossas respostas e é importante conhecermos o que foi dito em outras épocas para que possamos formar uma opinião própria.
A partir do momento em que tivermos a idéia de que fazemos parte de um grande mistério, temos consciência de estarmos participando de um enigma e procuramos explicações para isso.
A única coisa de que precisamos para nos tornar bons filósofos é a capacidade de
nos admirarmos com as coisas. Os grandes sábios são comparados a uma criança, pois tanto um quanto o outro ainda não se acostumaram com o mundo e não pretendem se acomodar com as coisas.
Aqueles que possuem resposta para tudo são as pessoas que acham que não vale a pena chegar a um conhecimento superior, pois sua visão sobre o certo e o errado é limitada,acham que o questionamento prejudica sua formação.
O diálogo é um dos exercícios que devemos praticar para a busca da sabedoria, pois assim nos são apresentados opiniões sobre o que questionamos, e assim somos forçados a elaborar as próprias idéias, indo de encontro com a alma e adquirindo, a partir de então, uma existência autêntica e verdadeiramente original.
O homem sábio deve: saber perguntar, ter inteligência e discernimento. A
imaginação é um dom notável, mas é muito mais notável aquele que sabe perguntar bem e entender o que é colocado. A inteligência deve ser aguçada, deve irradiar luz.
Capacidade e grandeza se medem pela virtude e não pela sorte. O sábio estima todos, pois reconhece o que há de bom em cada um e sabe como custa chegar ao verdadeiro conhecimento."
BIBLIOGRAFIA
Gaarder, Jostein – O Mundo de Sofia: romance da história filosófica / Jostein
Gaarder; tradução João Azenha Jr. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
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