domingo, 7 de abril de 2013

SER DIFERENTE É NORMAL

Esta semana fui surpreendida com fatos que me levaram a consciência de que não sou a mesma pessoa no sentido de funcionalidade física sobretudo, após o AVC.
Sou uma paciente que quando vista, ninguém percebe a "olho nu" sinal ou " sequela". Mas houveram danos cerebrais sim! Não posso fazer de conta que não houveram e achar que tive algo comum e que ao sair do hospital, voltei a viver tudo como antes.
Eu até cheguei a pensar assim, dada a minha excelente condição de saúde: trabalhando normal, raciocinando normal, dirigindo, fazendo atividade física, escrevendo, pensando no doutoramento e outras atividades que uma pessoa dinâmica faz.
Mas, em alguns momentos, percebo que há algo estranho dentro de mim. Nada demais aos olhos alheios. Mas dentro de mim TUDO.
Houve lesão cerebral no espaço da coordenação motora e da visão. Nada que me compromete o dia dia.
Em alguns momentos há pequenos desequilíbrios e sinto que em alguns momentos as pessoas pedem que eu repita o que falei. Comecei a prestar atenção nisso. 
Ocorre que meu raciocínio é rápido, mas minha fala não consegue acompanhar esta velocidade.Até então estou no grupo do meu trabalho, e em conversas que esta "sequela" não compromete o diálogo nem os seus objetivos.
Mas, houve uma prova de fogo que me pegou de surpresa.
Fui convidada para dar uma palestra em um evento científico com limitação de tempo.
Subestimei a situação e desconsiderei a limitação de tempo.
Então preparei material, confiei na minha larga experiencia de presidir inúmeras colações de grau, de dar inúmeras aulas e outras palestras. Porém não contei com o acaso e a surpresa.
Ocorre que diante da limitação do tempo, havia necessidade de verbalização com mais rapidez. As idéias começaram a ficar confusa na minha cabeça, porque era como se elas viessem, com as relações que eu queria fazer, mas a fala não acompanhava, então houve " acúmulo" de idéias, confusão interna, e claro, comprometendo a verbalização. Para completar a situação, também senti dificuldade em VER os slides que preparei. Tudo isso junto e ao mesmo tempo comprometeu a apresentação.
Para mim, pessoalmente, foi um caos interior. Fiquei muito abalada, chorei muito depois, com a constatação de que não era a mesma pessoa com a fluência e a capacidade de apresentar idéias em público. Pensei em desistir de alguns projetos, fiquei muito abalada emocionalmente.
Encontrei acolhimento de pessoas que me amam, com plavaras doces. Eles estão certos! Depois de tudo que passei sou uma vitoriosa. Mas, para uma pessoa perfeccionista que era, o que ocorreu foi muito forte. Encontrei também amigos e colegas de trabalho que me fortaleceram com palavras " ali estava uma guerreira tentando viver e recomeçar".
Depois de passada a "dor", de ter tratado emocionalmente a situação, concluo que preciso reconhecer que não sou a mesma pessoa ( no sentido funcional cerebral). Que preciso rever os instrumentos de apresentação, a metodologia, aceitar as minhas limitações e continuar em frente.
Dói, dói muito para a pessoa que viveu um AVC estar " diferente" de antes. Mas, eis o aprendizado escolhido para nossa evolução e crescimento espiritual.
Por isso, recomeçarei agora a partir da consciência de que ser diferente é normal. Não deixarei a chama se apagar. 
Para vocês leitores e familiares de pacientes pós AVC, o inteligente é descobrir NOVOS olhares, novos meios de continuarem fazendo o que gostam e o POSSÍVEL. Novos caminhos para continuarem VIVENDO. Orgulhem-se do que fazem! Orgulhem-se de quem são!!!! Peçam ajuda. Não conseguimos passar por tudo isso sozinho.

sexta-feira, 8 de março de 2013

8 DE MARÇO- DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Recebi um SMS hoje dizendo:
" Parabéns pelo nosso dia. Te amo. Você é meu exemplo de mulher, mãe, filha, amiga."
Passei o dia refletindo sobre a mensagem e na capacidade que tenho como mãe em educar. 
Quando decidi ter uma filha, inicialmente foi o desejo ímpar e inerente a mulher de gerar uma vida, saber o que é ser mãe. Quando minha filha nasceu e olhei pela primeira vez naqueles olhinhos, estremeci quando me dei conta da imensa responsabilidade de orientar um ser, de saber que não tinha a "posse" daquele ser tão pequenino, senti um amor enorme jamais sentido " à primeira vista" e a plena consciência de que seria com meu exemplo acima de palavras que ela iria apreender os reais valores  vida.
A responsabilidade do educar pelo exemplo continua, ainda que sinta um pouco a sensação de "missão cumprida".
Em um mundo onde as pessoas da faixa etária dela não pensam em ler, estudar, estagiar, ela reescreve a minha história de vida. Começa a fazer um curso superior e ao mesmo tempo trabalha. "deixa" de viver momentos mais livres e naturais da idade dela, mas adquire uma maturidade, uma visão de mundo que lhe agrega e lhe torna uma pessoa especial apesar de jovem.
Sinto muita a falta dela porque em 2011 ela decidiu estudar em outra cidade, um pouco distante de Salvador.
Mas, depois de tudo que passamos no final de 2011 com meu AVC amadurecemos, aprendemos a conviver e a crescer como mãe e filha mesmo distantes geograficamente. 
Todos precisam de um certo individualismo e oportunidade de decidirem, mesmo sendo um "filho". 
Os pais tendem a achar que podem continuar decidindo como faziam quando o filho era mais dependente. Só que eles crescem, desenvolvem sua personalidade, seu pensamento crítico, fazem escolhas, choram e se alegram por elas.Às vezes compartilham, às vezes não.
Quando por alguns momentos penso em desistir de garndes projetos, lembro do exemplo de mulher e de mãe que minha filha se inspira e recarrego minhas pilhas interiores para seguir em frente.
Eu hoje, sou uma mulher-mãe realizada. Agradeço a espiritualidade de  estar com saúde para acompanhá-la, estar perto mesmo longe fisicamente.
À minha filha, o meu amor eterno. Que essas palavras, momentos, sentimentos, olhares, sejam perpetuados.






















 naqueles narnaqueles

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

FELICIDADE COMPRADA X FELICIDADE PRODUZIDA

Depois do AVC fortaleci o hábito de pensar criticamente sobre a vida, os hábitos ( aquilo que as pessoas fazem automaticamente sem questionarem o porquê).
Parece que algo muda dentro de nós.
Apesar de não ter ficado com sequelas físicas, estou certa de que algo mudou no meu ser. Fisicamente a ressonância magnética mostra lesão claramente na parte do cérebro responsável pela coordenação motora e visão. Mas, incrivelmente não tenho nenhuma disfunção nestes sentidos e vivo normalmente: trabalho, faço atividade física, sou independente, danço, corro, leio, namoro, dirijo, faço tudo que uma pessoa " sadia" também faz.
Porém, sinto algo diferente. Sinto-me mais liberta a "pequenos detalhes" do dia dia, tais como horário de refeição rígido, horários para tudo, obrigação social, entrar na rotina frenética da capital, transito,marcar vários compomissos quase imposíveis de serem cumpridos ao mesmo tempo, ver o lado positivo das coisas e nao valorizar o negativo, preocupar- me menos com o que as pessoas pensam, apreciar mais tudo na sua simplicidade e nao na aparência, ser mais cuidados com os que se dizem amigos, reconhecer verdadeiramente a sinceridade, a grandiosidade das pessoas e ter coragem de afastar as que nao me fazem bem, "enxergar" melhor a maquina que move o mundo, as pessoas e por isso adquirir uma capacidade de compreensão maior porém ser menos tolerante para palavras, fatos, atitudes, comportamentos poucos significativos para minha vida!
Dia 21 fiz a revisão semestral neurológica, e mais uma vez, ouvi: você foi privilegiada, esta toda normal sem nenhum problema ( que deveria, pelas lesões estarem instalados). Obrigada Deus! Sobretudo pela oportunidade de reconhecer e de evoluir mais como ser!
Aos leitores que possuem experiência diferente da minha, nao se vitimizem. Nada acontece por acaso e todos os acontecimentos fazem parte da nossa vida, esta prescrito na nossa existência e Sao como lições de casa que devemos estudar para passar das etapas na grande escola da existência.
Aproveitem o potencial que ficou em você! Nao se envergonhe de precisar de ajuda. Peca, aceite, e agradeça a Deus por estar sendo ajudado.
Nao desista de seus projetos, por mais difícil que pareça ser para continuar em frente.
As vezes você sentira o chão se abrir, as vezes nao entendera e se perguntara " por que eu" ? Mas, tenham certeza, nao e por acaso. Aprendam a aprender com a adversidade.
Por isso defendo a felicidade produzida. Ninguém melhor do que cada um de nos intimamente para saber o que nos as feliz. Nao há receitas prontas vendidas em prateleiras.
O que encontra-se a venda, êh uma pseudo felicidade, através de bebida, drogas, momentos efêmeros, situações que sao verdadeiros opios, embacadores da visão interior que nao leva a profunda vivência e prazer da nossa existência.
Todas as pessoas possuem o seu "dínamo" para gerar sua própria energia, sua própria forca motivadora de reais mudanças, verdadeiras construções de vida, sentimento de plenitude e realização.
Procurem alguém especial para compartilharem todo o aprendizado. Pessoas especiais nao sao aquelas que se dizem ser, mas sobretudo as que demonstram nas suas atitudes, pequenos gestos, capacidade de amar, de amizade, doação, atenção, compreensão das nossas imperfeições mas mesmo assim dispostas a amar!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

REFLEXÕES ACERCA DO CARNAVAL EM SALVADOR

O Carnaval em Salvador começou desde a última sexta feira!! Cada vez mais é antecipado "extra oficialmente".

Ontem fui ao aeroporto buscar minha filha e fiquei um pouco surpresa! Ainda fico surpresa como Soteropolitana!!Era a primeira vez que estava no Aeroporto no dia em que oficialmente inicia o Carnaval em Salvador. Quanta gente chegando!!! Muitos turistas, muitos! 

Ainda houve um tempo enquanto aguardava o Vôo chegar, de observar as pessoas, e seus estados de alegria, euforia, desejo de algo novo, curiosidade, felicidade , muitos sentimentos, muita energia.É belo constatar a energia de Salvador, a atratividade, a capacidade de mobilização coletiva.

Eu aproveito para observar e refletir. Já vivi este estado. Como legítima Soteropolitana já fui Chicleteira, em bloco e em Festival de Verão. Nada contra a quem gosta, e ainda aprecia.

Porém, chego a uma conclusão muito pessoal e íntima. Tantos dias de Carnaval, só dançando, bebendo, sem "construir" algo, não me preenche mais.

Estou vivendo agora a fase do "myself". Quero fazer o que me preenche com mais totalidade: ler, passear, namorar, conviver mais com amigos e família, estar perto de minha filha, viajar, andar sem compromisso, conhecer novos lugares. Aqui em Salvador são 7 dias de feriado em que podemos fazer MUITO!!!! Uma diversidade de programação, um verdadeiro tesouro.

No aeroporto também refleti em alguns acontecimentos da minha vida: as vezes precisamos dizer não para alguém. As vezes nos dizem "não".

É fundamental uma reflexão sobre este "não".

Tratando-se de relacionamento, independente dos envolvidos: mãe-filha, amigos, companheiros, temos uma resistência com as "negativas". Nossa cultura não admite muito a negação.  Mas, a negação as vezes significa oportunidade de crescimento, de evolução, de mudança.

Eu já disse alguns "não(s)"  e também recebi outros. Ambas as formas são desconfortáveis.

Inicialmente quando recebemos um "não quero", "não concordo com você", "não gosto de você", parece que somos inferiorizados ou que alguma coisa não deu certo. Mas, se abrirmos o coração para o bem, para o aprendizado, iremos descobrir que faz parte da nossa trajetória e que quando uma porta de "fecha"  outra se abre e as vezes trazendo um caminho mais agradável, sereno, muito melhor que o anterior.

O importante, é que as pessoas encontrem o que lhe tragam paz, serenidade, harmonia e boas energias. O importante é estar bem consigo. Somente assim, poderá estar bem com " os outros".

Para encontrar a paz as vezes é necessário dor. Mas depois, virá a emergência do novo, da mudança e do efetivo crescimento.


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Fernando Pessoa)








quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2012- ANO DE APRENDIZADO E TRANSFORMAÇÃO

2012 era um ano em que o mundo se acabaria, segundo o calendário Maia.
Isto é o que ouvimos muito antes de 21 de dezembro.
Mas, para mim, pessoalmente, 2012 é o ano de renascimento, de evolução, de plenitude! Contraditório!!!!
Há muitas declarações postadas  no Facebook sobre o assunto. Exemplo: não sei se faço regime agora prestes ao fim do mundo. Não sei se morro magra ou se morro com fome!! E por aí se enveredam muitos devaneios!
2012 me ensinou através de um "intensivão" o que vinha aprendendo em doses homeopáticas ao longo da minha existência. 
Experimentei viver a partir da crise a transformação. Transformação  tanto no aspecto físico, quanto espiritual e emocional.
Hoje me " enxergo" e "me reconheço" com uma elevada auto estima. Hoje sei "me amar" muito mais. Hoje convivo comigo mesma em paz e gosto da minha companhia.
O AVC provoca reações nas pessoas. Estas reações foram minhas grandes mestras. Elas me ensinaram a fazer uma leitura da  capacidade de quem estava próximo a mim de me amar, de me apoiar, de me " consolar", de me ouvir, de estar perto mesmo. Também me ensinaram a desembaçar minha visão com pessoas que antes considerava como amigos, mas se mostraram tão distantes que às vezes foge a minha compreensão.
Algumas pessoas quando sabiam que sofri um AVC perguntavam se fiquei com alguma sequela. Quando respondia que estava normal, sem nenhuma limitação física, elas não acreditavam. Preferiram acreditar nos seus pré conceitos,  nos pré julgamentos e se distanciaram cruelmente. A impressão que me vem é que havia medo de serem solicitadas, medo de não saberem reagir e o que dizerem se percebessem " algo errado". Também tinha a  impressão que seria um " grande esforço" continuar me amando depois do episódio. Ledo engano de todos. Tornei-me uma pessoa melhor, uma pessoa mais humana, mais simples e mais mulher. Hoje sei bem o que quero da vida e o que não quero.
Excluo da minha vida ( afasto) tudo e todas as pessoas que não me fazem bem.  Sou complacente e amorosa com todos, mas só deixo "entrar" na minha vida, o que efetivamente contribui, agrega, soma e acrescenta.
Olho para trás e percebo como era uma pessoa otimista mas ao mesmo tempo pueril. Hoje continuo sendo otimista, mas centrada na verdade, menos romântica e sonhadora.
Aprendi que há uma grande diferença entre as minhas expectativas e o que "realmente" existe no mundo, o que realmente as pessoas estão dispostas a viver, o que realmente acontece, quais os valores que pautam as atitudes.
O AVC me aproximou absurdamente da família. Esta que esteve comigo, dia após dia, e continua me trazendo uma sensação de conforto, apoio, amorosidade: minha filha, minha mãe, meus irmãos, tias, primas, todas elas ao seu modo me alimentando com amor, preocupação, palavras, gestos.
O AVC me ensinou a reconhecer o verdadeiro amor em suas diferentes roupagens.
Recebi 2013 ao lado da minha filha e de pessoas iluminadas, queridas e que só me dão boas vibrações e energia.
A todos os leitores que sofreram um AVC, aos familiares, amigos, companheiros. A minha grande lição aprendida foi seguir em frente, com otimismo, lucidez, serenidade e sabedoria. Separar o joio do trigo é importante para a evolução e crescimento de todos!
Hoje é o segundo dia no ano que recebo de braços abertos, movida de novas esperanças, sentimentos, olhares e disposição para continuar aprendendo.
Feliz 2013 a todos. 
Agradeço a Deus pela oportunidade de continuar viva e presente.
TIM - TIM!!!




Foto: O que posso querer mais?
Interlagos - 31/12/2012.


domingo, 9 de dezembro de 2012

09 de dezembro 2012-um ano após o AVC

O dia de hoje é muito especial porque há um ano atrás estava na UTI sem entender direito o que estava acontecendo. Sinto-me privilegiada pela oportunidade de (re)nascer e (re)começar. Hoje sou uma pessoa diferente: vida, história,objetivos, pensamentos (re)visiistados e (re) construídos. Obrigada a todos os amigos pela companhia, pelas palavras, sentimentos positivos, torcida, e verdadeiramente por terem sido solidários em um momento muito delicado e difícil da minha vida.Comemorei a data de hoje também como meu aniversário. O dia em que renasci. Olho para trás e vejo a mesma mulher porém hoje mais madura, segura, feliz, fortalecida, obstinada e mulher.
Olho para trás e percebo com mais clareza a minha vida, quem eu sou, o contexto que estava vivendo, as pessoas que estavam perto ou " faziam de conta" que estavam. Tudo é absurdamente transparente, translúcido, elucidador, e repleto de aprendizagens.
Quando estava ainda no período de recuperação, em janeiro e fevereiro, não conseguia enxergar um futuro, novas perspectivas, vontade de seguir em frente. Estava tão desanimada comigo e com a vida que houve necessidade de utilizar medicamentos anti- depressivos e também para dormir.
Não conseguia dormir. Era estranho a inquietude no meu interior. Aos poucos, com a ajuda de uma equipe de saúde multidisciplinar, da família e de pesssoas queridas, fui dando os primeiros passos para " sentir vida" de novo.
Portanto, caso o leitor esteja lendo e se identificando com meu relato, acredite que tudo vai passar. Que no início é um susto, mas que depois há muito aprendizado de vida. Acredite também que nada acontece por acaso e que as vivências que somos submetidos fazem parte da evolução de cada pessoa.
Hoje comemoro a nova pessoa que sou! Com projeto de vida, projeto de realizar doutorado, de estudar francês, escrevendo com uma colega capítulo de um livro, pesquisando outras facetas para redigir mais artigos científicos, reconhecendo quem sou, o que fui, erros e acertos.
Dizem que não devemos muito olhar para o passado, porque a nada nos acrescenta. Mas, este marco na minha vida levarei comigo, porque como todo o retrovisor, me deu uma referência, uma luz para qual caminho seguir, e a certeza de uma pessoa (re) construída.









sábado, 24 de novembro de 2012

23/11 E O SIGNIFICADO

23 de novembro tem um significado especial para mim.
Este dia não se apagará da minha memória porque me lembra a vida, a alegria de viver, a força, a capacidade que uma pessoa tem de impregnar suas marcas, suas atitudes, seu exemplo, sua capacidade de liderança, independente de possuir títulos acadêmicos.
A saudade é grande. As lembranças suaves e graciosamente enchem meu coração de alegria quando revivo os principais momentos, quando escuto as doces palavras, os risos sinceros.
Eu passei o dia todo de hoje pensando nela e o quanto representa ainda na minha vida, apesar de não estar mais perto.
Foi com o apoio cotidiano dela, que consegui iniciar minha vida profissional e dividir a grande responsabilidade de cuidar da minha única filha.
Rosilda Bittencourt, avó de Maiana, minha sogra que aprendi a amar, respeitar  e admirar dia-dia.
Fui tratada por ela como uma filha e dependi muito do seu apoio em Feira de Santana, cidade que não possuía família e escolhi para  iniciar minha vida de casada e continuar a profissional.
Sinto a força da presença dela ainda e sei que ela está entre nós.
Aqui deixo minha homenagem, pelo data do seu aniversário.
Deixo também esse singelo comentário para expressar minha eterna gratidão por compartilhar comigo e por que não dizer ajudar a cuidar do que mais tenho hoje de precioso: Maiana.
Rosilda é a representação da força feminina em sua essência. Uma pessoa que ao nos deixar deixou sua família desfalcada. Falta algo muito maior do que a presença física sem ela. Falta o cuidado diário de coisas aparentemente pequenas,mas quando deixam de existir são enormemente grandiosas. Falta as comemorações das datas especiais, com uma ligação carinhosa e comidinhas típicas do sertão. Falta reunir a família na fazenda com deliciosas especiarias culinárias típicas. Aprendi a gostar de manissoba, de ensopado de carneiro, de frigideira de mucuri.
Falta a elegância com entorno de simplicidade que costumava vestir.
Falta o SER, capaz de irradiar uma força agregadora e sabedoria de vida incrivelmente perspicaz.
Tenho saudades, muitas...
Estará eternamente no meu coração...